quinta-feira, 30 de abril de 2026
quarta-feira, 1 de abril de 2026
NAS ÁGUAS DE MARÇO
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| A campanha da ONU para 2026 faz a conexão da água com a questão de gênero. |
No mês de março são celebradas algumas das datas mais significativas do calendário ambiental, como o Dia Mundial da Água, 22/03, instituído pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1993. Uma semana antes, dia 14, é comemorado o Dia Internacional de Ação pelos Rios, evento capitaneado pela organização International Rivers. A data, festejada em várias cidades pelo mundo, tem uma ligação especial com o Brasil. Foi em 1997, durante o Primeiro Encontro Internacional promovido pelo Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB), que o Dia de Ação foi idealizado.
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| Arte de Geraldo Cantarino/ABI |
Não apenas pelos solos correm os rios. Há os que correm pelo ar: os rios voadores que “nascem” na Amazônia e vão desaguar em forma de chuvas em outras regiões, alimentando as bacias hidrográficas. Por iniciativa do Brasil, foi criado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), lançado oficialmente durante a COP30, em novembro. O objetivo do fundo é arrecadar recursos destinados à proteção das florestas, reforçando a ideia de que floresta em pé vale mais do que derrubada. A proposta brasileira não se limita à Amazônia ou à Mata Atlântica, mas estende seu olhar a outros biomas pelo mundo, afirmando que mais de 70 países em desenvolvimento com florestas tropicais podem receber os recursos deste que seria um dos maiores fundos multilaterais já criados no planeta.
Nas datas comemorativas do calendário ambiental, como o Dia do Pantanal (este celebrado em 12 de novembro),
por exemplo, frequentemente mais lamentamos as perdas do que celebramos conquistas.
No final de março, fazendo um breve balanço dos últimos meses, foi possível constatar algumas vitórias, como o recuo de uma proposta que ameaçava a integridade
de três rios e a vida daqueles que com eles vivem em sintonia.
Tapajós, Madeira e Tocantins são
majestosos cursos d’água que atravessam a região amazônica. Atravessaram também
os últimos meses de 2025, desembocando em 2026, nas páginas e telas da mídia
nacional e estrangeira. A inclusão destes três rios no Decreto 12.600,
de 28/05/25, no PND (Programa Nacional de Desestatização), compreendendo mais
de 3 mil quilômetros de hidrovias, abriria caminho para sua exploração pela
iniciativa privada.
O Decreto tornou-se alvo de vigorosos protestos, inclusive com a ocupação indígena no porto da Cargill, em Santarém (PA). Lideranças denunciaram riscos ambientais e ausência de consulta prévia às comunidades afetadas. Além dos danos ao meio ambiente, aspectos relativos à segurança, com aumento do fluxo de pessoas e possibilidade de conflitos, foram lembrados pelas entidades e lideranças que se levantaram contra o ato governamental. Foram evocadas ainda as questões de natureza simbólica, diante da possível ocupação de lugares considerados sagrados. A bacia do Tapajós, aliás, foi objeto de um estudo da International Rivers, em 2022, que analisou estas particularidades da região. Após a forte pressão da sociedade, o Decreto 12.600 foi enfim revogado em 23 de fevereiro pelo Decreto 12.856/26.
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| Reprodução/Coletivo Apoena Audiovisual |
Rios grandiosos como o Tapajós iniciam
seu percurso como pequenas brotações de água. Vão ganhando volume e força à
medida que recebem as águas de seus afluentes. Pequenos cursos d’água, riachos,
córregos, regatos, uma rede de vida que, como o sistema circulatórios dos seres
vivos, vai alimentando um corpo chamado Planeta Terra. Sem ocupar manchetes de
jornais, rios que correm pelo Brasil também enfrentam suas batalhas e contam
com seus protetores. Um deles é o Rio Preto, demarcando a divisa dos estados de
Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nasce na serra da Mantiqueira, no município
de Bocaina de Minas, desaguando no rio Paraibuna, um afluente do Paraíba
do Sul, rio
que abastece cerca de 14 milhões de pessoas em quase duas dezenas de
municípios, inclusive toda a Região Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro
(através do Rio Guandu).
O Rio Preto, tal como os grandes rios amazônicos, tem também suas características que o tornam único. Pesquisadores que estudam a Bacia do Médio Paraíba destacam que o Rio Preto é uma das últimas poupanças e refúgio de biodiversidade aquática da bacia do rio Paraíba do Sul. É, por exemplo, casa do peixe surubim, espécie em risco de extinção. É também local de manifestações culturais e religiosas e guarda memórias que fazem parte da história dos habitantes de cidades mineiras e fluminense que são por ele banhadas.
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| Fotos: Amigos de Porto das Flores-MG |
No Dia Internacional de Ação pelos Rios, os protetores do Rio Preto puderam comemorar algumas vitórias. O rio esteve ameaçado pela instalação de uma hidrelétrica, PCH Santa Rosa I, que iria pôr em risco sua integridade. A mobilização de lideranças sociais e políticas levou ao arquivamento do processo de licenciamento ambiental, em 2025. Os argumentos dos protetores do rio se basearam em falhas nos estudos de impacto ambiental e na ausência de consulta aos órgãos responsáveis pela gestão das unidades de conservação próximas. Mais recentemente, em fevereiro, outra conquista: foi aprovado na ALERJ o Projeto de Lei 2019/2023, de autoria do Deputado Carlos Minc, que define o Rio Preto como Área Estadual de Interesse Turístico.
Assim, este mês das águas de 2026, que acaba de se encerrar, contabiliza algumas vitórias, reforçando a ideia de que a luta pela preservação ambiental deve ser permanente, cotidiana, coletiva.
FONTES:
- Entenda o Fundo Florestas Tropicais para Sempre,
proposta encabeçada pelo Brasil — Agência Gov
- A
privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins - Revista Opera
- D12600
- D12856
- International
Rivers lança estudo inédito sobre bacia do Tapajós – Ecoa
- Ato:
indígenas interceptam balsas no Rio Tapajós antes da COP30
- Rio Preto: (1)
Facebook / Facebook / (2) Facebook
- Rio Preto/Dia Internacional de Ação pelos Rios: Facebook
quarta-feira, 12 de novembro de 2025
DIA DO PANTANAL: BIOMA EM RISCO
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| Foto: Adriano Gambarini (WWF-Brasil) |
O Pantanal, bioma que se estende pelos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, englobando 22 cidades, é celebrado no dia 12 de novembro, a partir de uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), de 2008. Em 2020 foi sancionada uma lei estadual instituindo oficialmente a data como Dia do Pantanal.
A data carrega uma triste memória. Neste dia, em 2005, o ambientalista Francisco Anselmo de Barros ateou fogo ao corpo durante um ato contra a implantação de usinas de álcool na Bacia do Alto Paraguai, atividade que estava proibida por resolução do Conama. O Pantanal é considerado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera Mundial.
Mais do que comemoração, o dia dedicado ao Pantanal deve servir como um alerta sobre os danos que o bioma vem sofrendo há anos. Levantamento da rede MapBiomas revela que, entre 1985 e 2024, a área anual que permanece alagada foi reduzida em 75%. As consequências do desmatamento e da crise climática aparecem em outro estudo também divulgado pelo MapBiomas, no dia 5 deste mês. Segundo os dados coletados, a temperatura média do Pantanal foi a que registrou maior aumento, chegando a 1,8ºC, ultrapassando o limite definido no Acordo de Paris, que é de 1,5ºC.
Este limite, que foi definido com base no período antes da
Revolução Industrial (1850 a 1900), quando aumentaram as emissões de carbono
por conta da queima de petróleo, gás e carvão, é considerado o necessário para
evitar catástrofes e até o desaparecimento de países. Contudo, ele já vem sendo
ultrapassado, como atesta a pesquisa
divulgada pela Organização das Nações Unidas-ONU, no último dia 6. Segundo os
resultados nada animadores da referida pesquisa, “os planos atuais para conter
as emissões de gases do efeito estufa só vão conseguir limitar o aumento
da temperatura global a 2,3 graus Celsius (°C)”.
Frear o aquecimento global é um grande desafio para os
participantes que estão em Belém, onde acontece a COP30. Em torno dele é que
giram as demais questões: como mitigar, adaptar, reflorestar, substituir fontes
de energia, compartilhar tecnologias e, principalmente, quanto cabe a cada país
investir, considerando que os maiores poluidores devem assumir sua parcela de
responsabilidade pela saúde do planeta.
- Dia do Pantanal – 10
anos da morte de Francisco Anselmo – Ecoa
- MapBiomas
Brasil – aumento temperatura
média
- MapBiomas
Brasil – redução áreas alagadas
- Mundo
caminha para aumentar temperatura em 2,3°C, alerta ONU | Radioagência Nacional
segunda-feira, 7 de julho de 2025
DE BAKU A BELÉM, COM BRICS NO CAMINHO
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| A Sumaúma na identidade visual da Cúpula do BRICS 2025 no Brasil |
Um ano após a Cúpula do G20, realizada no Rio de Janeiro em novembro de 2024, o País receberá outro grande evento internacional: a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá em Belém. Entre um encontro e outro, a Cúpula do BRICS, sob a presidência do Brasil, traz para o Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de julho, líderes e representantes dos países que integram o chamado Sul Global. Na pauta de discussões, entre outros temas de grande relevância, como a produção de vacinas e adoção de uma moeda exclusiva para as transações comerciais, estão as ações necessárias face as mudanças climáticas e seu financiamento.
Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, enfatizou a importância do documento assinado em conjunto, uma vez que ele orienta uma ação comum e coletiva do BRICS na área de financiamento climático. Rosito, que atuou como Coordenadora da Trilha de Finanças durante o G20, naquela ocasião declarou ser fundamental identificar os obstáculos à ampliação dos recursos e definir estratégias para lidar com estes entraves, destacando que é preciso “facilitar a mobilização de recursos privados e o melhor compartilhamento de riscos”.
Um dos expositores, Daniel Nogueira Leitão, Coordenador de Meio Ambiente e Energia da Presidência Brasileira do BRICS (Ministério das Relações Exteriores/Itamaraty), destacou a importância de se discutir desafios e oportunidades no ano em que o Brasil sedia a Cúpula do BRICS. Nogueira Leitão citou a orientação do Presidente Lula sobre o lema que deverá guiar a referida Cúpula: “Fortalecendo a cooperação do Sul Global por uma governança inclusiva e sustentável.” A preocupação em manter um diálogo construtivo, que leve em conta a heterogeneidade dos países do bloco, fortalecendo os caminhos da diplomacia, se faz ainda mais necessária considerando o momento em que o encontro acontece, de tensão e conflitos envolvendo, inclusive, países membros.
O diplomata informou também que o Grupo de Contato de Mudança do Clima, o encontro anual onde organizações não governamentais, movimentos sociais, governos, comunidade científica, setor privado se reúnem para formular propostas para a implementação da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira, trabalha em quatro frentes: BRICS Finance for climate change (Financiamento do BRICS para as mudanças climáticas), voltado para o financiamento, com o lema “De Baku a Belém”, reportando-se à COP29 realizada no Azerbaijão. Outra frente aborda o uso de patentes/propriedade intelectual e difusão tecnológica, com o propósito de diminuir custos para os países emergentes. Na terceira frente o objetivo é atingir uma convergência entre os países do bloco a fim de promover metodologias e normas de contabilidade de carbono de forma mais equilibrada e justa. Reconhecer o mercado de carbono como instrumento essencial à adoção de medidas focadas no clima é a quarta frente.
O bloco tem na sua origem o
fortalecimento e expansão de relações econômicas entre os países, de olho numa
nova ordem mundial. Composto inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul, agrega hoje mais seis países membros: Arábia Saudita, Egito,
Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Conta ainda com sete
países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia,
Uganda, Uzbequistão, Vietnã. O bloco tem uma instituição financeira, o Novo Banco de Desenvolvimento, ou NDB (New Development Bank), também chamado
Banco do BRICS, fundado em 2014 com o objetivo de impulsionar o crescimento
econômico e o desenvolvimento sustentável entre os países do Sul Global e que está
sob a presidência, desde 2023, da ex-presidenta Dilma Rousseff.
A vertente ambiental ganhou relevância dentro do bloco sem que isto signifique um desvio de seu propósito inicial, ao contrário, reafirma a certeza de que as atividades humanas não podem ignorar os impactos que causam na saúde do planeta. Walter Desiderá, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-Ipea, em sua apresentação durante o citado encontro realizado em 23/5, destacou que a proteção ao meio ambiente não está no rol dos empecilhos ao desenvolvimento. “Programas sociais não atrapalham a Agenda 2030”, afirmou Desiderá.
A 17ª Cúpula do BRICS recebe um reforço importante com a presença do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres. Conforme informado por seu porta-voz, Guterres foi convidado para participar de uma sessão sobre o fortalecimento do multilateralismo, assuntos econômicos, financeiros e inteligência artificial, no domingo. No segundo dia do encontro, o Secretário-Geral abordará em seu discurso temas ligados ao meio ambiente.
Nota: Se brick em inglês pode ser traduzido por tijolinho (como aqueles amarelos que pavimentam a estrada do filme O Mágico de Oz), vale uma brincadeira com a sigla do Bloco, que bem pode ser o subtítulo para a matéria: Como o BRICS pode pavimentar o percurso entre a COP-29 e a COP-30.
Fontes:
- Lula:
“Vamos seguir construindo um mundo justo e um planeta sustentável” — Planalto
- Ações
e planos brasileiros para a COP 30 são validados pela ONU — Agência Gov
- BRICS+: é possível uma nova Saúde Global | Outras
Palavras
- 250528_BRICS_Climate-Leadership-Agenda_Joint-Declaration.pdf
- Os
BRICS e COP 30: dilemas e oportunidades para clima e natureza
- BPC: Ambição Climática dos BRICS: Brasil - brq
- Ipea: BRICS, seus desafios e a presidência rotativa do
Brasil 2025 | Revista Tempo do Mundo
- BRICS: BRICS propõe nova geopolítica do clima com foco em
financiamento e inclusão e justiça social
- Brasil247: "BRICS é ator incontornável no enfrentamento à
mudança do clima", diz Lula | Brasil 247
- Agenda
2030 para o Desenvolvimento Sustentável | As Nações Unidas no Brasil
- Guterres
participará de Cúpula do Brics no Rio de Janeiro | ONU News
quarta-feira, 30 de abril de 2025
SOCIEDADE CIVIL SE MOBILIZA PARA PARTICIPAÇÃO NA 5ª CNMA
domingo, 24 de novembro de 2024
G20 SOCIAL SE ENCERRA E EIXO AMBIENTAL SE ARTICULA PARA ENFRENTAR DESAFIOS CLIMÁTICOS
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| Espaço Kobra |
Durante a Cúpula do G20 Social, nos dias 14, 15 e 16/11, inúmeras atividades tomaram a área do Porto do Rio, nos Armazéns, no Boulevard Olímpico, na Praça Mauá. Segundo dados dos organizadores, o G20 Social teve mais de 46 mil inscritos, sendo mais de 15 mil credenciados. Centenas de pessoas circularam pela região e a presença dos movimentos sociais, associações, ativistas, comunidades de várias origens se fazia notar nas roupas, cocares, bonés, bandeiras, cartazes, sotaques, barraquinhas, atividades culturais. Um colorido multiétnico como os painéis do artista Kobra que revestem as paredes externas do Espaço que leva seu nome.
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| Presença do MST |
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| Atividade autogestionada - Desastres Climáticos |
No dia 15, Plenárias Temáticas reuniram participantes em geral, representantes de organizações da sociedade civil, palestrantes convidados e autoridades. Os debates focaram os três eixos propostos pelo G20: Combate à fome, pobreza e desigualdades, Sustentabilidade, mudança do clima e transição justa, e Reforma da governança global. O Ministro Paulo Teixeira, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, e João Paulo Capobianco, Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, participaram da Plenária Mudanças Climáticas e Transição Justa
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| Plenária Mudanças Climáticas e Transição Justa - foto Isabela Castilho G20 Brasil |
Capobianco destacou a importância da
Rio-92, ou Eco-92, como ficou mais conhecida, conferência também realizada no
Rio de Janeiro, em junho de 1992, que deu as coordenadas para os eventos que se
sucederam, como o Acordo de Paris, em 1994. O Secretário afirmou que, ao
contrário do governo anterior que impediu a participação social, fechou
Conselhos, o Ministério está profundamente comprometido em buscar soluções para
as demandas ligadas ao meio ambiente. Destacou ainda que o Ministério da
Fazenda tem sido um parceiro fundamental para atingir as metas propostas.
A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado foi citada, contudo, destacou Capobianco, o aquecimento global acima de níveis estipulados já aconteceu, devendo o esforço agora se concentrar em voltar à meta de 1,5 grau. Ainda que o G20 não tenha o poder de definir normas, sua importância é inegável já que reúne países que representam 80% do PIB global e também são responsáveis pela emissão de igual volume de gases do efeito estufa. O Secretário citou também a iniciativa do Governo Federal que já lançou sua versão atualizada da Contribuição Nacional Determinada (NDC na sigla em inglês) cujo prazo, pela COP 29, seria fevereiro de 2025. O documento reúne um conjunto de metas e compromissos que os países devem assumir para redução das referidas emissões.
O Ministro Paulo Teixeira, chegando direto da COP 29, parabenizou a participação da sociedade civil no evento, definindo como crucial o momento em que vivemos, com um panorama político mundial complexo, a eleição de presidentes negacionistas na Argentina e nos EUA, os quais, inclusive, se retiraram das negociações do clima. Teixeira reiterou a necessidade de que os países mais poluidores assumam sua responsabilidade diante da crise climática que o planeta enfrenta.
O Ministro enfatizou a importância da agroecologia, que produz alimentos sem desmatar, e o apoio do governo federal à agricultura familiar que tem apresentado resultados positivos com o financiamento recebido. Lembrou o lema “Integrar para não entregar”, difundido após o golpe de 1964, e que, para ocupar a Amazônia, na verdade promoveu o desmatamento. Defendeu o uso de tecnologias, como drones, energia solar, para tornar a atividade agrícola mais atraente e viável para os jovens.
ENCERRAMENTO
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| Foto de Ricardo Stucker (Presidência) |
Entre as muitas e emocionadas falas, vale
destacar a de Severino Lima Junior, Presidente da Aliança
Internacional de Catadores, que disse não representar apenas uma entidade,
mas a Nação, afirmando que, ao permitir que todos sejam representados, o Brasil
torna-se um exemplo para o mundo. A jornalista e ativista Tawakkol Karman, do Iêmen,
Prêmio Nobel da Paz em 2011, declarou-se grata e entusiasmada em participar do
evento, confiante na concretização dos objetivos propostos. Destacou que há
algum progresso nas cúpulas, mas não mudanças significativas, especialmente na
questão ambiental, devendo haver maior empenho no combate a injustiças,
opressão, deslocamentos em massa forçados.
Links/fontes:
G20 SOCIAL:
- Reveja
a cronologia da participação cidadã que culminou no G20 Social — Agência Gov
- Enfrentamento
das mudanças do clima deve fortalecer ações de adaptação
- Foto Plenária
Sustentabilidade, mudança do clima e transição justa:
Sustentabilidade
e desenvolvimento humano podem caminhar lado a lado. Crédito: Isabela Castilho/ G20 Brasil
- Declaração final: Leia
a declaração final do G20 Social | Agência Brasil
- Encerramento: PRESIDENTE LULA PARTICIPA DA
SESSÃO DE ENCERRAMENTO DO G20 SOCIAL
- Quem
pagará a conta da crise climática? Qual valor? COP entra na reta final
quinta-feira, 31 de outubro de 2024
DIA MUNDIAL DAS CIDADES
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| Rio de Janeiro-RJ, vista parcial do Centro e cúpula do Theatro Municipal (2017) |
Este Dia Mundial das Cidades, diante de tantas
delas arrasadas por catástrofes climáticas, guerras, bombardeios, conflitos
sociais, devastação, falta de saneamento, poluição da água, solo e ar, além de deslocamentos
forçados, é um momento oportuno para se refletir. Em 2024, o foco das Nações
Unidas, que tem à frente a brasileira Anacláudia Rossbach como nova diretora
executiva da ONU-Habitat, são os jovens
e a necessidade de os governos organizarem debates em busca de soluções
sustentáveis para lidar com as mudanças climáticas. Segundo a ONU, até 2030,
60% da população viverão em áreas urbanas e seis em cada 10 moradores terão
menos de 18 anos.
O projeto “Cidade para pessoas",
criado pelo arquiteto dinamarquês Jan Gehl, vai ao encontro do pensamento de
Jacobs. Ele articula a arquitetura com a psicologia e a sociologia, já tendo
sido chamado de “filósofo das cidades”, e propõe a construção de cidades
compactas, favorecendo a mobilidade urbana. Gehl entende, por exemplo, que o
uso irracional dos carros nas cidades, gerando dezenas de quilômetros de
trânsito, não é a causa, mas um sintoma de mau planejamento urbano. Para Gehl,
“embora os problemas das cidades não sejam todos iguais nas várias partes do
mundo e em diferentes níveis de desenvolvimento econômico, são mínimas as
diferenças envolvidas na inclusão da dimensão humana no planejamento urbano.”
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| Águas de Lindóia-SP (2015) |
Jane Jacobs entende as verbas públicas
como instrumento de recuperação permanente, planejada, “passando de um
instrumento que financia alterações drásticas a um instrumento que financia
mudanças contínuas, graduais, complexas e mais suaves”. Ao expor suas críticas
a modelos de cidades que não priorizam a convivência, Jane Jacobs não as está
condenando, ao contrário. A autora critica o sentimentalismo em relação à
natureza, em oposição à vida na urbe, afirmando que “as grandes cidades e as
zonas rurais podem conviver muito bem” e que, mesmo com muitos problemas, as
cidades não são “vítimas passivas de uma sucessão de circunstâncias, assim como
não são a contrapartida maléfica da natureza”.
Como já afirmou o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, em 2021, estamos, rapidamente, aproximando-nos de um ponto sem retorno para o planeta. Torna-se, então, urgente repensar conceitos como “desenvolvimento” e “progresso”. Novos parâmetros deveriam ser levados em conta ao se avaliar a qualidade de vida dos cidadãos e o sucesso de uma administração pública. É preciso ir além dos números do PIB (Produto Interno Bruto), priorizando outros índices, como o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), diante da necessidade de lançar sobre as cidades e seus habitantes um olhar mais acurado e, especialmente, que mire além de números e estatísticas.
Referências:
- ONU marca Dia Mundial das
Cidades focando em jovens e ação climática | ONU News
- Dia
Mundial do Meio Ambiente 2021: mensagem do secretário-geral da ONU | As Nações
Unidas no Brasil
- BURGOS, Marcelo Baumann. Cidade,
Territórios e Cidadania. In: Dados - Revista de Ciências Sociais, Rio de
Janeiro, Vol. 48, no 1, 2005, pp.189 a 222
- GEHL, Jan. Cidades para pessoas. Ed. Perspectiva,
2013
- JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes
cidades. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011
- ROLNIK, Raquel. Guerra dos lugares: a
colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo,
2015

















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