quinta-feira, 24 de setembro de 2026

PLANETA TERRA: A CASA COMUM, A RESPONSABILIDADE DE TODOS

Encerramento (foto de Maria Vitória/Fiocruz)

 Cientistas alertam sobre a necessidade de ações urgentes de prevenção e mitigação dos efeitos do aquecimento global. O El Niño chega mais intenso, com promessas de mais chuvas, mais secas, mais calor. A temperatura dos oceanos aumenta, e também seu nível. Geleiras se desmancham. Um relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) afirma que o limite de 1,5ºC, definido no Acordo de Paris, em 2015, será ultrapassado nos próximos anos. 

A expressão “tempestade perfeita” talvez não tenha aplicação mais acertada do que para este ano de 2026. No Brasil, com a proximidade de eleições em que estão na disputa candidatos declaradamente dispostos a “deixar a boiada passar”, ou seja, dispostos a serem omissos, ou mesmo coniventes, com a destruição do meio ambiente, o horizonte fica ainda mais sombrio. 

Aí, um grupo de pessoas convoca um Ato Socioambiental, um encontro para reunir representantes de vários segmentos da sociedade civil. Uma Carta-Compromisso foi elaborada pelo Movimento e apresentada a parlamentares e candidatos para que se comprometam a trabalhar e lutar pela defesa do meio ambiente, ou seja, da vida. O documento, ao qual aderiram também várias personalidades e dezenas de lideranças da sociedade civil, enumera demandas da população de diferentes áreas do Estado do Rio de Janeiro, da Costa Verde à Baixada Fluminense.

Jogral da ENSP/Fiocruz

Não por acaso o dia escolhido foi 21 de setembro, o Dia da Árvore. O local, a histórica sede da Associação Brasileira de Imprensa-ABI. O saguão do 9º andar foi tomado pelos trabalhos das Arpilleras, com seus “bordados da resistência”. O jogral da ENSP/Fiocruz e o músico Wesley Nóog ocuparam o palco do auditório. Um Planeta Terra inflável, gigante, silenciosamente transmitia uma mensagem aos que chegavam: “É por mim, e todos que me habitam, que estamos aqui”.


Exposição dos trabalhos das Arpilleras 

Começava assim a Plenária/Ato Socioambiental, evento organizado em parceria com o FEMAARJ-Fórum Estadual de Meio Ambiente e Agricultura-RJ e o SENGE -Sindicato dos Engenheiros-RJ. Pesquisadores, lideranças sindicais, ativistas, gestores públicos, parlamentares, se reuniram para apresentar e discutir propostas voltadas para as questões ambientais e a crise climática que vem causando catástrofes cada vez mais frequentes e severas.

Octávio Costa (ABI) e Jorge Silva (Senge)

Na abertura do encontro, Octávio Costa, Presidente da ABI, falou da inciativa da instituição em abraçar a pauta ambiental com a criação da Comissão de Meio Ambiente. Lembrou que há um ano, naquele mesmo auditório, a ABI realizava, juntamente com a Diretoria de Cultura, seu 1º Seminário de Meio Ambiente. Disse também que a Associação sempre cedeu espaço aos movimentos sociais e entende a importância de, neste momento, em que as ameaças à vida no planeta são concretas e não apenas peças de ficção de cineastas e escritores, apoiar as causas ambientais.

 O engenheiro agrônomo Jorge Antônio Silva, Diretor do SENGE e um dos idealizadores do Ato, destacou o peso político do evento, já que estamos a poucos dias de eleições que definirão quem ocupará cargos públicos cruciais para os rumos do País, e que realiza-lo numa entidade historicamente comprometida com a democracia, é motivo de orgulho para os organizadores. Em seguida, apresentou uma retrospectiva das ações do Femaarj, desde a primeira Conferência Livre, em 2022, passando por vários outros momentos, como caminhadas na Floresta da Tijuca e a Conferência Estadual na UERJ, em 2025, que reuniu mais de mil pessoas. Em 31 de maio o Fórum liderou o Ato e Caminhada, em Copacabana, que abriu a Semana do Meio Ambiente de 2026.


Os deputados Chico Alencar e Carlos Minc estiveram no Ato

Vários foram os temas abordados, entre eles, a poluição e qualidade do ar, acesso à água e ao saneamento, a contaminação de corpos hídricos, o desmatamento, o avanço do concreto sobre as áreas verdes urbanas, justiça climática, educação ambiental. A Coordenadora da Comissão de Meio Ambiente da ABI, Zilda Ferreira, destacou a campanha lançada em 2024 pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 6/21, a PEC da Água, que propõe a inclusão, na Constituição Federal, do acesso à água potável entre os direitos e garantias fundamentais da população.

Representantes de dezenas de entidades, organizações e movimentos, como a Pastoral de Ecologia Integral, o ONDAS - Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento, o Movimento Baía Viva, o Movimento dos Atingidos por Barragens-MAB, entre outros, trouxeram suas demandas. Em suas falas, foram mencionados inúmeros problemas enfrentados pela população do Estado, especialmente aquelas mais vulneráveis, que vivem em áreas mais degradadas e pouco atendidas por políticas públicas, são os que mais sofrem as consequências do clima. São problemas como os riscos à saúde dos moradores da Zona Oeste da capital, devido à poluição atmosférica e das águas da Baía de Sepetiba, e a especulação imobiliária que tem provocado o corte de dezenas de árvores, como aconteceu no espaço conhecido como Buraco do Lume. O tratamento de resíduos, que envolve a existência de aterros sanitários, reciclagem e geração de energia, também esteve na pauta, enfatizando a importância de criar cooperativas para os catadores, cuja atividade não apenas ajuda na preservação ambiental, mas também gera emprego e renda.

 A privatização da Cedae e o aumento progressivo das tarifas pela Águas do Rio, além do descumprimento de contratos, com a omissão da Agência Reguladora, Agenersa, foi uma questão levantada no encontro. Foi também denunciado o descarte irregular de medicamentos pela indústria farmacêutica e farmácias. A preservação do Parque Estadual da Chacrinha com a proteção de sua flora e fauna, esteve igualmente em discussão na plenária.

No encerramento do encontro, os participantes reafirmaram o compromisso de manter vivo e atuante o movimento, o espírito de coletividade e a confiança no valor das causas defendidas, conscientes de que a responsabilidade pelos rumos do País é de toda a sociedade.

 Uma versão deste texto foi matéria publicada no site da ABI:

ABI une-se a movimentos socioambientais em defesa do planeta | ABI

 



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