segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CRÔNICAS PERUANAS (6) – De Cusco a Puno: uma viagem na viagem, parte I



O que temos para hoje é uma viagem de dez horas, de ônibus. Busão bacana, claro! Conforto, chazinho, guias super atentos e gentis (como sempre). Já quase refeita da penúria dos últimos dias, lá fui eu com mais um bando de turistas de vários cantos do mundo pegar a estrada mais uma vez. E não podia ser melhor.

Nosso roteiro tem cinco paradas. A primeira é Andahuaylillas, uma joia encravada na cordilheira, na Rota do Barroco Andino. Chamada de Capela Sistina dos Andes, a igreja de São Pedro Apóstolo é um espetáculo para os olhos. E só para eles, nada de lentes, câmeras (mas ganhamos um CD com toda a história e fotos).







Eu, particularmente, prefiro a simplicidade dos Jesuítas (a Companhia de Jesus realiza uma importante ação social na região), mas não se pode deixar de admirar o trabalho incrível que foi feito nesta igreja, tantas minúcias, tantos detalhes. A mistura das crenças inca e cristã também se mostra ali, inclusive no sol que brilha em ouro na parte superior do altar. Aqui você pode admirar um pouco da grandiosidade desse templo e também no site de Mario Testino


Em frente à igreja há uma bonita praça, com várias barraquinhas de artesanato.


Depois do esplendor de Andahuaylillas veio o despojamento de Raqchi. Despojado, mas imponente. Por algum motivo, este sítio arqueológico me tocou especialmente. Lá está o templo de Wiraqocha, que remonta aos anos 1.400. Alguma energia ali bateu fundo na minha emoção. De novo, a engenhosidade ancestral na construção integrada à natureza, ao movimento dos astros, à incidência dos raios de sol. Como em Machu Picchu, grande parte das ruínas foi reconstruída para visitação.












 
  













                                                                                  
Lá de longe, o vulcão Kinsach’ata – dizem que extinto, vai saber? - nos espia.


  
 
 A comunidade local tem tradição ceramista e é formada por 150 famílias que conservam sua organização ancestral. Na saída do sítio, uma colorida señora vende, por 10 Soles, uma revista em espanhol e quéchua sobre a história do lugar. 

O condor, o puma e a serpente fazem parte da trilogia Inca.

Há uma pequena igreja, mais imponente por fora que por dentro. No pequeno interior, há belas pinturas nas paredes. Ela contempla a praça circundada, como sempre, por barraquinhas e gente de pele curtida pelo sol e sorriso fácil. Comprei algumas lembranças para meu “museu de viagens”: um puma de pedra e um calendário Inca, de cerâmica.






































Vamos em frente, que é hora de alimentar também o corpo. O restaurante La Pascana não é a belezura do Tunupa, do Valle Sagrado, mas é um lugar muito simpático. Fica em Sicuani, nossa terceira parada, por onde também corre o incansável Rio Urubamba. Comidinha leve pra não correr riscos de indisposição. De típico, empanada e, na sobremesa, algo parecido com um manjar, feito com maiz morado, o milho roxo.


Pela vidraça, percebi que uma menina, caprichosamente vestida, se posicionava no gramado atrás do restaurante, onde pastavam lhamas e alpacas. Não foi difícil imaginar a missão dela ali.



Como eu supunha, a linda menina esperava por aqueles turistas ávidos por fotos. Claro, tratei de garantir a minha. Como resistir à tamanha fofura? (e achei muito justo recompensá-la com alguns Soles, não sem antes perguntar se poderia lhe oferecer aquele regalo).  


O cachecol que estou usando nas fotos eu comprei na tecelagem Miguelito, onde tivemos uma breve aula sobre baby alpaca, aquela lã obtida com a primeira lañadura (tosa), que produz um fio mais macio. Há uma grande variedade de modelos na loja, tudo muito bonito.

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