quarta-feira, 24 de agosto de 2016

SALA ESCURA: Café Society



Woody Allen em sua melhor forma. Isto é Café Society, seu novo filme que estreia amanhã aqui no Rio. Depois dos medianos Homem Irracional e Magia ao luar, o diretor volta ao patamar de Blue Jasmine e Meia Noite em Paris. Desta vez WA detona o mundo glamouroso da Hollywood dos anos 1930.

Comédia nada inocente, o filme é recheado com o humor mordaz e sem piedade do diretor novaiorquino. Nada escapa, para o bem ou para o mal: judeus, católicos, maçons, comunistas, políticos, polícia, roteiristas, família, estrelas e produtores de cinema com seus egos inflados como balões nos céus da Capadócia.


Num mundo de festas luxuosas, onde não faltam alfinetadas e as conversam giram em torno de nomes como Fred Astaire, Gary Cooper, Ginger Rogers, Berry Davis, Robert Taylor e outros estrelados, a sétima arte não é exatamente o principal interesse, mas as cifras que a indústria do cinema, alimentada pela mídia, movimenta.

Uma câmera elegante conduz o espectador e a narração em off na voz de Woody Allen flui com tanta naturalidade que parece uma conversa a dois com o diretor. Uma bela fotografia mais uma trilha sonora perfeita e temos um clima totalmente anos 30.


Bobby (Jesse Eisenberg) é um jovem do Bronx que vai para Hollywood em busca de trabalho na produtora de seu tio Phil (Steve Carell), que, por sua vez, prefere ignorar suas origens, uma família, digamos, nada convencional.

O rapaz cai de amores pela secretária do tio, Vonnie (Kristen Stewart), que, no entanto, tem um namorado. Clichês na mão de um mestre ganham vitalidade e brilho e assim é com o triângulo (ou seria quadrilátero?) amoroso, as idas e vindas, as desilusões, as promessas e juras de amor. A sedução de uma vida de luxo e sucesso vai sacudir a relação dos jovens e levá-los a escolhas difíceis. E a caminhos aparentemente fáceis.

Como cantou Caetano, a força da grana ergue e destrói coisas belas. Às vezes ao mesmo tempo. Você provavelmente vai rir, muito, mas também vai sair do cinema com um bichinho cutucando seu pensamento. E se suas escolhas na vida tivessem sido diferentes?

CAFÉ SOCIETY (Café Society) – 2016, EUA, 98 min
Direção e roteiro: Woody Allen
Classificação indicativa: 12 anos


https://www.imagemfilmes.com.br/imagemfilmes/principal/filme.aspx?filme=164640&titulo=cafe-society

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

CRÔNICAS PERUANAS (6) – De Cusco a Puno: uma viagem na viagem, parte I



O que temos para hoje é uma viagem de dez horas, de ônibus. Busão bacana, claro! Conforto, chazinho, guias super atentos e gentis (como sempre). Já quase refeita da penúria dos últimos dias, lá fui eu com mais um bando de turistas de vários cantos do mundo pegar a estrada mais uma vez. E não podia ser melhor.

Nosso roteiro tem cinco paradas. A primeira é Andahuaylillas, uma joia encravada na cordilheira, na Rota do Barroco Andino. Chamada de Capela Sistina dos Andes, a igreja de São Pedro Apóstolo é um espetáculo para os olhos. E só para eles, nada de lentes, câmeras (mas ganhamos um CD com toda a história e fotos).







Eu, particularmente, prefiro a simplicidade dos Jesuítas (a Companhia de Jesus realiza uma importante ação social na região), mas não se pode deixar de admirar o trabalho incrível que foi feito nesta igreja, tantas minúcias, tantos detalhes. A mistura das crenças inca e cristã também se mostra ali, inclusive no sol que brilha em ouro na parte superior do altar. Aqui você pode admirar um pouco da grandiosidade desse templo e também no site de Mario Testino


Em frente à igreja há uma bonita praça, com várias barraquinhas de artesanato.


Depois do esplendor de Andahuaylillas veio o despojamento de Raqchi. Despojado, mas imponente. Por algum motivo, este sítio arqueológico me tocou especialmente. Lá está o templo de Wiraqocha, que remonta aos anos 1.400. Alguma energia ali bateu fundo na minha emoção. De novo, a engenhosidade ancestral na construção integrada à natureza, ao movimento dos astros, à incidência dos raios de sol. Como em Machu Picchu, grande parte das ruínas foi reconstruída para visitação.












 
  













                                                                                  
Lá de longe, o vulcão Kinsach’ata – dizem que extinto, vai saber? - nos espia.


  
 
 A comunidade local tem tradição ceramista e é formada por 150 famílias que conservam sua organização ancestral. Na saída do sítio, uma colorida señora vende, por 10 Soles, uma revista em espanhol e quéchua sobre a história do lugar. 

O condor, o puma e a serpente fazem parte da trilogia Inca.

Há uma pequena igreja, mais imponente por fora que por dentro. No pequeno interior, há belas pinturas nas paredes. Ela contempla a praça circundada, como sempre, por barraquinhas e gente de pele curtida pelo sol e sorriso fácil. Comprei algumas lembranças para meu “museu de viagens”: um puma de pedra e um calendário Inca, de cerâmica.






































Vamos em frente, que é hora de alimentar também o corpo. O restaurante La Pascana não é a belezura do Tunupa, do Valle Sagrado, mas é um lugar muito simpático. Fica em Sicuani, nossa terceira parada, por onde também corre o incansável Rio Urubamba. Comidinha leve pra não correr riscos de indisposição. De típico, empanada e, na sobremesa, algo parecido com um manjar, feito com maiz morado, o milho roxo.


Pela vidraça, percebi que uma menina, caprichosamente vestida, se posicionava no gramado atrás do restaurante, onde pastavam lhamas e alpacas. Não foi difícil imaginar a missão dela ali.



Como eu supunha, a linda menina esperava por aqueles turistas ávidos por fotos. Claro, tratei de garantir a minha. Como resistir à tamanha fofura? (e achei muito justo recompensá-la com alguns Soles, não sem antes perguntar se poderia lhe oferecer aquele regalo).