sexta-feira, 22 de agosto de 2008

SALA ESCURA


REFLEXOS DA INOCÊNCIA
(Flashbacks of a fool)

A convite da Imagem Filmes assisti, em seção para a imprensa, ao filme de Baillie Walsh, em exibição nos cinemas a partir desta sexta-feira, 22/08. O longa de estréia do diretor pode ser visto sob diferentes olhares. É um filme sobre a infância, mas o título em português não dá sua dimensão correta, sugerindo talvez uma obra mais leve e doce. E ela está longe disso. É um filme sobre escolhas, especialmente as erradas, e suas (no caso, trágicas) conseqüências. É um filme sobre pessoas que podem ser destrutivas, mudando drasticamente os rumos daqueles com quem convivem.

Dividido entre dois momentos da vida de Joe Scot (Daniel Craig), um decadente astro de cinema, o filme peca e perde em parte o ritmo ao se concentrar nos flashbacks, criando na narrativa um hiato longo demais entre presente e passado. Mas consegue se equilibrar no perigoso terreno dos dramas que envolvem relações familiares, sem descambar para o sentimentalismo barato. E Harry Eden leva com competência o jovem Joe Scot.

A morte de seu melhor amigo, que não via há 25 anos, levará Joe de volta a sua cidade natal, onde repousam memórias tanto de um tempo pleno de uma felicidade despojada e sincera, como de trágicos acontecimentos. Dois “personagens” são fundamentais para contar a história desse homem, perdido numa vida fútil, imerso num universo de drogas e sexo. A música é um deles, costurando a abertura do filme, que mescla os dois mundos do protagonista, separados por um abismo. A mímica dos jovens Joe e Ruth sobre a música If there is something (“...when you were young...”), de David Bowie, é um delicioso e delicado momento no filme, que sintetiza a travessia de Joe.

O mar também é um elemento que contracena com os personagens. Sua grandiosidade, seja na costa britânica ou na costa da Califórnia, sua força, que leva, que lava, purifica, desperta. Um filme sobre a dificuldade de se confrontar com o passado e de como é possível resgatar alguma generosidade perdida.

REFLEXOS DA INOCÊNCIA – Flashbacks of a fool
Reino Unido – 2008 – diretor: Baillie Walsh
Elenco: Daniel Craig, Clairie Foriani, Harry Eden, Helen McCrory, Mark Strong
Duração: 124 min
Classificação: 16 anos
http://www.imagemfilmes.com.br/imagemfilmes/principal/filme.aspx?filme=103758

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

MEIO AMBIENTE



UM DUELO DO BEM
Entre 30 de julho e 2 de agosto, o Arte Sesc, no Flamengo, acolheu a mostra FICA NO RIO, com os vencedores do 10º Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás. Além de assistir a filmes de curta, média e longa metragens, no sábado o público pôde conferir e participar de um instigante debate com o jornalista André Trigueiro e a publicitária Nádia Rebouças, sob o tema Consumo Sustentável: uma questão de sobrevivência.

A programação indicava uma palestra do jornalista especializado na área ambiental, mas, para sorte da platéia que lotou o confortável teatro do Arte Sesc, mais do que palestra, o encontro dos dois comunicadores foi um adorável “duelo”. O olhar de quem faz notícia e de quem faz propaganda levantou, em alguns momentos, diferentes pontos de vista, que, longe de evidenciarem conflitos, enriqueceram o bate-papo. Tudo devidamente temperado com bom humor e a criatividade que marcam os dois profissionais.

Abordando a responsabilidade da imprensa e da publicidade, Trigueiro e Nádia falaram de modo contundente sobre o impasse com o qual a sociedade se defronta hoje: é necessário reduzir o consumo. Se toda a população da Terra consumisse como as classes mais altas, exemplificou Trigueiro, seriam necessários três planetas iguais para suprir essa demanda. A questão é que consumimos desnecessariamente, hipnotizados por uma propaganda que, segundo o jornalista, citando o professor Evandro Ouriques da UFRJ, é a verdadeira magia negra moderna.

Nádia, que se autodenomina uma publicitária diferente, considera que houve avanços e que o CONAR tem tido uma atuação importante, ressaltando que, por iniciativa da população, já foram tirados do ar comerciais considerados enganosos. Um indicador dessa tendência de mudança no comportamento do mundo publicitário, segundo Nádia, foi a presença de Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2001, na abertura do 4º Congresso Brasileiro de Publicidade. Ela destacou o comentário de Annan sobre a liberdade de expressão – direito invocado pelos publicitários quando se fala em regulamentar a propaganda – segundo o qual, quanto maior for este direito, maior também a responsabilidade.

Trigueiro observou que no Rio de Janeiro, o FICA tem uma dimensão especial, pois gera um movimento, há uma interação entre as pessoas que participam do evento. Ele lembrou que o movimento ambiental veio de baixo para cima, por isso essa mobilização é fundamental. Ele também considera que é imprescindível que os jornalistas tenham sólida informação sobre o meio ambiente. Cuidar da questão ambiental no mundo de hoje é urgente, pois ela está associada a todas as instâncias da vida em sociedade. O orçamento da União, por exemplo, pode deixar de ser matéria apenas da economia para abraçar também o meio ambiente. Segundo Trigueiro, 10% do PIB brasileiro são de compras públicas; por que não amarrar estas compras, então, a produtos sustentáveis?

Foi um belo começo de noite de sábado e nesse duelo do bem, todos saíram vencedores.

Quer saber mais? http://www.ficanorio.com.br/ - http://www.mundosustentavel.com.br/

sábado, 7 de junho de 2008

ESPORTE FINO – BATON OU PÓ-DE-ARROZ?

Quarta-feira, dia de futebol. Fluminense e Boca Juniors, Maracanã lotado, jogo decisivo.
TV ligada, sem som, escrevo à mão, sabendo que não vai dar pra dormir antes do jogo acabar; as torcidas – pró e contra – não deixarão.

Meu coração rubro-negro não torce contra o tricolor das Laranjeiras, mas também não consegue se entusiasmar com um time cujo grito de guerra é “Neeeeeeeense!”. Por favor, não dá! Quando muito, se o Fla não está na parada, meu coração pende para a Estrela Solitária, reverência a Mané Garrincha e a Nilton Santos. Este último, tive o prazer de encontrar algumas vezes no Parque do Flamengo, fazendo suas caminhadas e distribuindo comida para os passarinhos. Às vezes bebíamos água de coco na mesma carrocinha, do rubro-negro Mota, e eu tinha ímpetos de dar uma beijoca naquele que alguém apelidou de “Enciclopédia do Futebol”.

Bem, voltando ao tricolor, os gritos da vizinhança me fizeram olhar para a TV, muda, e, para minha surpresa, o gol era do time argentino. Mas não foi por isso que comecei a achar o jogo interessante, mas por conta do peitoral do jogador, exposto enquanto corria com a camisa levantada. Belo exemplar da espécie, esse Palermo. Aí pensei no Chico Buarque. Por ele valeria a pena torcer pelo tricolor, mas a coisa estava ficando feia para eles.

Bem, certamente não foram meus devaneios sobre peitorais masculinos e MPB que viraram o jogo e fizeram o Flu conhecer a glória de derrotar o Boca, na última quarta-feira. E, justiça seja feita, o tricolor também desfilou belos corpos naquela noite. E tem mulher que não gosta de futebol!

Resultado? Boca com certeza prefere baton, mas no Maracanã experimentou mesmo o gosto (amargo) do pó-de-arroz. E Chico Buarque deve ter dormido bem feliz, o que deixa nosso coração – seja lá de que cor for - um pouco contente também.

sábado, 31 de maio de 2008

MEIO AMBIENTE

PARA REFLETIR 
 Crescimento econômico, escassez de alimentos, biocombustíveis, camada de ozônio, aquecimento global, derretimento de geleiras. Essas palavras têm freqüentado o noticiário nos últimos anos, mas nem sempre de forma a esclarecer a sociedade. Contradições, conceitos conflitantes, interesses em jogo. Acusações de omissão ou de exagero nas previsões para o futuro de nossa casa, o planeta Terra. 

Seriam estas previsões realmente catastróficas, ou realistas? Para o Presidente do Brasil- PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), Haroldo Mattos de Lemos, a situação é grave e, embora o otimismo e esperança no futuro do Homem devam ser preservados, não podemos mais ignorar os riscos que nos ameaçam. O professor trouxe dados inquestionáveis para a palestra que apresentou em maio na Recicloteca, como o aumento da atividade econômica - cresceu 10 vezes entre 1950 e 2000; o consumo de água aumentou 6 vezes -, impulsionado pela voracidade de um sistema centrado no consumo desenfreado. Percebemos então que este crescimento, tão louvado por alguns economistas, trouxe no seu rastro grande devastação, fome, decadência moral e social e morte. A China, apontada como exemplo a ser seguido pelo Brasil, enfrenta problemas graves, como trânsito caótico e poluição gerada pela emissão de combustíveis fósseis (os derivados do petróleo). 

Que crescimento queremos? Aquele revelado pelos números frios do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma das riquezas de um país)? Felizmente este indicador já não é mais parâmetro aceitável para medir o avanço de uma sociedade. Pesquisadores antenados com a realidade e que têm em seu campo de visão não apenas cifras, mas as dignidade humana e o futuro de nossa espécie, elegem o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) como a medida justa para se avaliar o progresso de aglomerações humanas, estejam elas contidas numa cidade, num estado, num país. O IDH, criado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), agrega ao PIB valores indispensáveis a uma sociedade: Educação e Saúde. Para se ter uma idéia de como essa nova mentalidade faz toda a diferença, quando se fala em IDH o Brasil ocupa o 70º lugar (Islândia é o 1º e Serra Leoa o último), mas é apontado como a 10ª economia mundial. 

Como disse a jornalista Flávia Oliveira, em palestra realizada em abril, no curso de Extensão Jornalismo e Políticas Públicas, na UFRJ, “o vigor econômico do Brasil não tem se traduzido em melhora social (bolsões de pobreza no nordeste, centro-oeste e mesmo no noroeste do RJ). Dentro da cidade do Rio de Janeiro, temos Islândia e Serra Leoa”. Estes temas vêm sendo discutidos há vários anos, embora a grande imprensa não lhes venha dando o destaque, e o enfoque, necessários. Encontros realizados em 1987 (Comissão Brudtland), 1982 (Nairóbi), 1992 (aqui no Brasil, a ECO-92), já apontavam que o caminho do Homem sobre a Terra teria de ser repensado e balizado por ações responsáveis, como a adoção de novos estilos de consumo, investimento em educação, respeito ao ciclo de vida das espécies, enfim, o desenvolvimento sustentável, que vive o presente, mas não mata o futuro. Quer saber mais? http://www.pnud.org.br/home/ http://www.brasilpnuma.org.br/outros/geo4.htm http://www.recicloteca.org.br/ http://informacao.andi.org.br:8080/relAcademicas/site/visualizarConteudo.do?metodo=visualizarUniversidade&codigo=6