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sábado, 12 de novembro de 2016

EXISTE UM LUGAR: Rio das Flores (2) -São José das Três Ilhas



Saindo do centro de Rio das Flores em direção a Juiz de Fora (RJ-151 e BR-040), passamos pela velha estação de trem Cachoeira do Funil. Restaurada, ainda que sem as características originais, é um ponto de exposição e venda de artesanato e tem um acolhedor café.

Seguindo pela RJ-151, e desviando dos muitos buracos, chegamos a Manoel Duarte, distrito de Rio das Flores. Uma bonita igrejinha nos espia de uma elevação na beira da estrada. Como só abre cedinho aos domingos, ainda não pude conhecê-la por dentro.





 Em Manoel Duarte funciona a Florart, uma associação que reúne trabalhos de artesãos do lugar e da vizinha Porto das Flores. Peças de decoração de vários materiais, além de roupas e acessórios, enchem o espaço e os olhos. Ali se pode comprar também café, doces, biscoitos, licores e cachaça. Belezas e gostosuras.




As estações de trem restauradas (ou não) são resquícios do tempo em que a ferrovia cortava aquelas terras. Reativada, ainda que num pequeno trecho, seria uma atração turística a mais para a região, como acontece em Passa Quatro e Tiradentes, por exemplo. Aliás, o turismo é pouco explorado no Vale do Café e até conseguir informações sobre atrações históricas ou naturais (como as cachoeiras) é uma tarefa nem sempre fácil. As fazendas recebem visitantes, algumas oferecem almoço, como a Santo Inácio. A União é um hotel fazenda onde também se realizam festas particulares. 


Pertinho da Florart, uma estreita ponte sobre o Rio Preto nos leva a Porto as Flores, distrito de Belmiro Braga-MG. Minha expedição por ali não foi longe, mas deu vontade de explorar mais.







De volta à RJ-151, no distrito de Três Ilhas, outra ponte nos leva a uma estrada de terra, de novo em Minas. Seguindo por cerca de 9 km chega-se a um tesouro: São José das Três Ilhas, também distrito de Belmiro Braga, e sua belíssima igreja de pedra.


Do lado de cá, RJ. Lá, MG

Rio Preto


 



A Igreja de São José, por fora, não aparenta tanto a ação do tempo e a falta de manutenção. É imponente. A pedra fundamental foi lançada em 1878. Por dentro, pode-se ver o quanto ainda temos que aprender sobre valorização e preservação do patrimônio histórico e cultural neste país. O zelador, Adilson, com um luminoso sorriso no seu belo rosto negro, muito gentil e bem articulado, me responde que já tiveram apoio da Petrobrás e agora estão buscando outras instituições que ajudem na restauração daquela relíquia.


 
 






Estação - pequenas capelas que marcam a Via Sacra


Achei na internet este site com imagens aéreas (drone) da igreja. http://valedocafeonline.com/tag/sao-jose-das-tres-ilhas/

O povoado parece uma pintura, tudo com aquela beleza que só a simplicidade tem: o casario, as flores, as montanhas e matas... nas calçadas, homens de aparência humilde, negros em sua maioria, conversam, nos espiam e nos dão bom dia.





Há muito ainda que andar, ver conversar, ouvir, sentir naquelas terras fluminenses e mineiras, banhadas pelo Rio Preto. A expedição continua.