segunda-feira, 14 de maio de 2018

CRÔNICAS RUSSAS (2) - São Petersburgo: História, arquitetura, comprinhas e... dança Cossaco!


 

Dia de tour e contato mais íntimo com a cidade. Passamos primeiro pela Catedral Naval de São Nicolau, de um belo azul, do século XVIII, época da fundação da cidade por Pedro, o Grande. Tem ao lado um bonito jardim. As ruas do entorno também são amplas, floridas, tudo muito limpo. 








Fomos depois até a impressionante Igreja do Salvador do Sangue Derramado. Este estranho nome vem do atentado a bomba sofrido no mesmo local pelo czar, ou tsár (царь),  Alexander II, em 1881. A igreja foi construída em 1882, por ordem de Alexandre III, em memória do pai assassinado, que, 20 anos antes, havia decretado o fim da servidão, sistema de exploração a que eram submetidos os camponeses russos. Segundo nossa guia Natasha, uma vidente havia previsto tal atentado, mas mesmo assim não pôde ser evitado.

Um casal de turistas coreanos me pediu para fotografá-los. Muito simpáticos, me disseram viver nos EUA. Aproveitei para pedir que registrassem minha passagem por ali. Andaimes de obras de manutenção atrapalharam um pouco o visual, e não consegui tempo para voltar e visitá-la por dentro, mas ver a fachada de perto já valeu. 





Natasha, uma loura com cerca de 1,80m, num Português com sotaque carregado, sempre muito simpática, nos informa que a população de São Petersburgo oficialmente é de 5 milhões de habitantes, mas 8 milhões na verdade vivem na cidade, muitos imigrantes. Ainda que as avenidas sejam largas, as muitas pontes engarrafam nos horários de movimento.

Na Rússia de hoje, o ensino e a saúde continuam sob o Estado, como no regime soviético, mas também há instituições privadas. Contudo, explica Natasha, os médicos particulares costumam inventar doenças e são vistos com desconfiança pela população. Como os exames na rede privada são mais rápidos, as pessoas em geral fazem lá os exames e levam para os médicos do Estado. Mazelas de um país em fase de grandes transformações políticas e sociais. E nada estranhas para nós, brasileiros.

Durante os deslocamentos, mais encantos de São Petersburgo, ou simplesmente Petersburgo, ou mesmo Peter, para os íntimos, aparecem pelas janelas do ônibus. E alguns tímidos sinais da Copa do Mundo.

Polícia na área



Estátua de Pedro, o Grande, fundador da cidade




Ao fundo, a Igreja do Salvador do Sangue Derramado



Alguns indícios da Copa do Mundo, a nove meses da competição

Fan zone garantida!
Seguimos depois para a Fortaleza de Pedro e Paulo e sua catedral, que é também um mausoléu onde estão as tumbas da nobreza russa, inclusive de Nicolau II, deposto e morto após a Revolução de 1917, com sua família. Ainda que restos mortais tenham sido identificados como da família Romanov anos depois, Marc Ferro, renomado historiador francês, sustenta, com base em vasta pesquisa (veja aqui), que as filhas e a esposa de Nicolau II, Alexandra, por ser de origem alemã, não foram executadas, num acordo secreto com os germânicos. Mas esse assunto é tabu para a Igreja Ortodoxa, que considera legítimos os restos sepultados na catedral em 1998, inclusive canonizou os Romanov. A sala onde estão seus túmulos não estava aberta à visitação.

 






Não é só no Hermitage que há gatos. Esta tricolor descansava tranquilamente junto aos nobres


Nossa simpática guia Natasha


Túmulo de Pedro, o Grande
  






 




No entorno da Fortaleza.
 
Voo de 10 a 15 minutos sobre  cidade por 5 mil rublos (cerca de 280 reais)










Claro, fomos às compras. Não registrei o nome do mercadinho de souvenirs, mas foi ótimo. Muita variedade de artigos, de todos os preços e acessíveis. Comprei as lembrancinhas para a família e uns poucos mimos para mim. Esta loja foi bem melhor que a que visitamos em Moscou, e nossas guias já nos haviam alertado sobre isso. Lamentei não encontrar camisas de futebol de times locais ou da seleção russa. Coisa rara por lá, pelo menos alguns meses antes da Copa. 

Matrioshkas de quase 700 euros, e nem eram as mais caras. Belíssimas.
 À noite fomos assistir ao balé cossaco da Companhia Bagatitsa (Багатица), uma ótima surpresa. Fui um tanto desconfiada de ser uma atração meio chata, daquelas montadas para turista ver. Até é, mas a qualidade dos músicos, figurinos, cantores, bailarinos é de primeira. São vários números de dança, inclusive com encenações de esquetes cômicos e românticos. Nem me arrisquei a fotografar, mas fotos e vídeos podem ser vistos nos links abaixo.

 

Links para Bagatitsa:



Dica de Blog de viagem interessante:

 
 

2 comentários:

Sergio Fernandez disse...

Valeu turista cronista Thereza, muito bom.

Tecelã disse...

Valeu pela visita, Sergio. Tentando ser mais que turista, mas viajante cronista ..rsrs.. Bjs.