quarta-feira, 21 de março de 2018

CRÔNICAS DO MAR BÁLTICO (3): Tallinn, Estônia



Letônia, Lituânia, Estônia... nomes que aprendi lá pela década de 1960, nas aulas de Geografia/História, no Visconde de Cairu, no Méier. Repúblicas que faziam parte da misteriosa (e demonizada) União Soviética, a assustadora URSS! Não poderia imaginar que um dia estaria pisando em solo estoniano.

Logo após desembarcarmos em Tallinn, depois da travessia noturna, partimos para o tradicional tour com nossa guia local, Silvy. No roteiro, muito para se ver na cidade velha: sedutoras ruas estreitas, casas coloridas, restaurantes, cafés, construções centenárias. 
 






Detalhe da fachada da Academia de Música
 



Placas com nomes de pessoas presas e/ou mortas durante regime soviético
  
Passamos por simpáticas lojinhas que vendem lembrancinhas de viagens variadas e irresistíveis. Uma das especialidades de Tallinn são as joias com pedras de âmbar. Vale a pena também comprar algumas barrinhas de Marzipan, segundo os estonianos, um doce que se originou de um remédio preparado pelos químicos da Idade Média (têm até um museu temático). 






Medieval, mas fitness.
  Fomos à Colina de Toompea, onde fica a linda Catedral Alexander Nevsky (sem fotos no interior), igreja ortodoxa russa. Visitamos também a Igreja Dome, luterana, do século XIII, que guarda túmulos e brasões de nobres de origem germânica. No horário de nossa visita o acesso ao topo, de onde se pode ver a cidade, não estava aberto.


Catedral Alexander Nevsky




Igreja luterana Dome






A vista que se tem da colina é encantadora. O tempo não estava lá muito bom, tive de apelar para minha nada discreta capa de chuva comprada em Viseu, Portugal.




 A chuvinha deu uma trégua e pudemos seguir pelas ruas de pedra. Depois de algumas caminhadas, chegamos à ampla praça da Prefeitura, com vários restaurantes e fervilhando de turistas. 











Na praça fica também a farmácia mais antiga de que se tem registro (1422) e que ainda funciona.




A Estônia medieval fatura com o turismo e a do século XXI vem se destacando pelos investimentos em tecnologia (veja matéria aqui). A impressão que tive é que estão muito bem preparados para receber turistas. Nas lojas e restaurantes falam inglês. Ainda bem, pois poucas foram as palavras que deu para aprender na língua local, que tem origem siberiana.. Além do aitäh (aitár = obrigado) que a moça do barco me ensinou, juntei a meu dicionário: tere tere (teré, teré = olá), haed ööd (readê = boa noite) e õlut (ôlut = cerveja).

Tallinn foi fundada em 1219 e significa “cidade dos dinamarqueses”. A população do país é pequena, cerca de 1 milhão e 300 mil habitantes, sendo que 40% estão na capital. A maioria é composta de estonianos e russos, mas o país abriga cerca de 140 nacionalidades. Já estiveram sob a dominação de dinamarqueses, suecos, alemães, russos. Em termos de tamanho, a área do país equivale à do Espírito Santo, sendo 70% cobertos por florestas. A educação é gratuita para todos até o 12º ano e os salários são tributados em 13%.

Após o tour e depois de me acomodar no hotel Nordic Hotel Forum (um dos que mais gostei de toda a viagem), saí para explorar mais um pouco a cidade e procurar um local para almoçar. Próximo ao hotel há algumas construções modernas, integradas a prédios antigos, bem interessantes. 






Fome apertando, segui para a cidade medieval onde optei pelo CRU (que a moça me disse significar algo como “pequeno jardim interno”), um restaurante com cartaz na porta avisando que o chef está (ou esteve) no ranking dos melhores do mundo. Mas foi o jeito aconchegante e a opção de almoço aparentemente não tão estranha – peixe - que me atraiu. A garçonete é super gentil, detalha o que é o prato com minúcias, nem sempre captadas por mim. Mas, vamos lá. A sorte está lançada. Que venha o whitefish. Mais bonito que gostoso, o peixe não era lá essas coisas, mas a sobremesa... um improvável sorvete de pão de centeio! Dos deuses! 



Fui então para a expedição solo de praxe. Voltei a alguns lugares que visitamos durante o tour e descobri outros, como um bonito jardim. Uma garota russa me estende um folheto convidando para um mergulho no mundo medieval. Uma atração entre instigante e bizarra que, um tanto receosa e querendo ver mais coisas da cidade, acabei não experimentando: Tallinn Legends. Agora que já pesquisei na internet, acho que, se voltar um dia a Tallinn, vou conferir os sustos que eles prometem.







 
Descobri um bonito jardim





Fiz umas comprinhas – há muitas coisas bem fofas nas lojinhas de suvenires – fucei aqui e ali, entrei e saí de vielas, e fui ao final tomar aquele café da tarde no Reval Cafe.


Tentei arrebanhar algum colega de viagem para irmos ao Olde Hansa – restaurante totalmente ao estilo medieval, inclusive no cardápio (soube que servem até carne de urso), mas não obtive sucesso na empreitada. Partir sem ir lá? Nem pensar! À noite voltei ao centro histórico e fui experimentar a cerveja com mel e a carne de cervo (fiquei com dó, mas era a menor porção do cardápio. Eu não ia encarar um jantar medieval sozinha). 







Não foi a melhor experiência gastronômica da vida, mas também não foi ruim. Pedi à garçonete para tirar uma foto minha, mas ela estava meio apressada e a coisa não ficou nada boa. Paciência... pelo menos a caneca de cerveja, tão pesada que precisei das duas mãos para segurar, consegui registrar na bruxuleante luz do ambiente. O banheiro também tem estilo medieval, mas, graças a Odin, tem água corrente. 


Pia do banheiro do Olde Hansa. Um charme!



No caminho de volta ao hotel, ainda pude admirar a muralha iluminada. Um casal parecia estar posando para minha foto. Lamentei ficar tão pouco tempo em Tallinn. Queria pelo menos mais um dia para outras expedições a pé. A lista de lugares interessantes, como museus, teatros, parques, é grande (veja aqui). Há até uma prisão da temida KGB. Mas... excursão é assim. Temos algumas mordomias, mas também limitações. A gente tem de seguir o roteiro. 




 Dormi tarde, como sempre, triste por me despedir de cidade tão encantadora. Na manhã seguinte voltamos ao porto para nova travessia, desta vez bem mais curta. Destino: Helsinque, Finlândia.




3 comentários:

eli disse...

Amei!!!! Já quero ir lá 😁

alambique Vieira e Castro disse...

Parabéns! Uma belíssima explanação! Deu para sentir as emoções da viagem e deu muita vontade de conhecer! Bjs

Tecelã disse...

Aline, por isso escrevo, para reviver a viagem ;). E para compartilhar com quem queira embarcar comigo. Grata pela visita. Bjs.