segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sala Escura: AVATAR


EU QUERO IR PRA PANDORA

O filme de James Cameron, que está lotando boa parte das salas no Brasil, chega como a obra que inaugura outro jeito de fazer cinema. E o que mais se tem falado sobre ele tem a ver com a tecnologia que transforma o assistir ao filme numa viagem.

Como já disse a crítica, AVATAR traz uma história pra lá de conhecida – o jovem guerreiro que muda de lado ao se apaixonar e ao conhecer as reais intenções e métodos de seus superiores– mas traduzida em imagens que casam com uma palavra: deslumbramento.

Acredito que Cameron, com esse épico, marca sim a história do cinema (esse senhor que já passou dos 100 anos, mas sempre renovado). O que de modo algum significa que seu cinema seja melhor do que o dos grandes diretores, como Martin Scorsese, os irmãos Coen, Federico Fellini, Clint Eastwood, Walter Salles, entre tantos outros, mais ou menos incensados e premiados. O mérito maior de Cameron é usar os espertíssimos efeitos visuais não para escamotear a precariedade ou obviedade do roteiro – que de fato não é exatamente um primor – mas para que transmitam o sentido de sua história banal. Banal mas necessária, como o ar e a água.

O próprio diretor já declarou que foi divertido ver as pessoas comentando o filme, antes mesmo do lançamento, mas se deu conta de que falavam apenas do superficial. Ele espera que, ao verem o filme, as pessoas percebam que há muito mais para se falar. A tecnologia a serviço da criatividade e da emoção é uma fórmula que tem contribuído para que o cinema se consolide como a sétima arte, desde o surgimento de câmeras mais leves que deixaram o tripé e foram para as mãos, dando mobilidade aos cineastas. Junte-se aí a animação e a computação gráfica.

Exageros e estereótipos à parte – como um comandante de frios olhos azuis, mau como um pica-pau – Cameron cria uma história (que provavelmente terá continuidade com Avatar 2, 3...) que remete à conquista das Américas, ao massacre de povos cujo poder não está no aparato bélico, mas na sabedoria ancestral e na conexão com elementos da natureza. Seu povo Na’vi tem traços de índios norte-americanos, com suas longas tranças; suas cavalgadas nos lembram antigos westerns. A heroína Neytiri tem um quê da Pocahontas de “O Novo Mundo”, de Terrence Malick.

AVATAR fala da destruição da memória (“abrir um buraco na memória deles”, diz o malvado), e o diretor sabe do que está falando. Memória, onde se ancora a força de qualquer povo e por isso é o alvo dos conquistadores, usem eles armas de fogo ou estratégias publicitárias e mercadológicas.

Memória. Talvez seja este – ainda que não percebido por grande parte do público – o grande lance de AVATAR. Memória para nos conectar com o homem que é parte de um sistema onde tudo está integrado. Definitivamente, eu, que tenho a “minha” árvore-mãe no Parque do Flamengo, voltarei à sala 3D do Arteplex Botafogo para, da poltrona, mergulhar na deslumbrante floresta de Pandora.


AVATAR (Avatar)
Direção: James Cameron
EUA, 2009 – duração: 2h48 – 12 anos

4 comentários:

Tecelã disse...

Compartilho comentário da Juju Fazolo, enviado por e-mail:

Realmente é deslumbrante. Vou ver de novo. Acho que pelo que JC se propõe, um filme para toda a família, o roteiro não é tão pobre assim. O clichê do bem contra o mal, mas com muita criatividade. Vale a pena.

Graça Carpes disse...

Um filme com criatividade e beleza. ...Eu amei!
:)

humberto disse...

tereza, tb gostei de avatar..relutei um pouco em assisti-lo, mas realmente é bom..e parabens pelo seu blogo..maravilhoso e inteligente como vc..sucesso..bj..humberto

Anônimo disse...

Parabéns pelo blog. Muito bem estruturado, informativo, interessante e simpático.
Continue assim, parabéns e sucesso.
Lembre-se o mês de MARÇO está chegando e as aulas de teatro também, o grupo vai retomar as aulas e esperamos por você
Abraços MARCIO MARTHA